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Enfermagem e a arte de cuidar



Costumamos pensar a enfermagem, enquanto profissão, não somente como uma ciência, mas também como uma arte. Necessariamente para ser um profissional da enfermagem é importante que se tenha um "dom" muito especial, que permita num único olhar, num gesto e até mesmo nos momentos mais difíceis entender, acolher e prestar cuidados ao ser humano dentro de suas necessidades, sejam elas de âmbito físico/biológico, emocional/psicológico, espiritual, social e cultural.


Arte do latim "ars", significa "técnica ou habilidade", podendo ser considerado como um processo de conhecimento que pode ser usado para desenvolver determinadas habilidades. Num sentido mais moderno, arte é entendida como uma atividade artística, um produto final da manipulação humana sobre uma matéria prima. Nesse mesmo sentido podemos entender que arte depende diretamente da emoção, da razão, da perfeição, do detalhismo, da linguagem e do cuidado.


A enfermagem como arte ficou historicamente conhecida como a função de cuidar de pessoas enfermas, moribundos e excluídos. Talvez por ter suas origens ligadas a ações realizadas, na grande maioria das vezes por mulheres e religiosas que cuidavam de pessoas que não tinham dinheiro para pagar um médico e até mesmo pelas parteiras, que prestavam cuidados a mulher em trabalho de parto em suas casas.


Mas ao refletirmos na enfermagem não só enquanto arte, mais também como uma ciência reconhecida nos meios acadêmicos, devemos pensar que o "cuidar" requer de algo mais do que o simples ato do cuidado, requer reflexão, pensamento crítico, interesse pelo problema, preocupar-se em encontrar soluções mais adequadas para cada situação, um julgamento crítico e reflexivo. O cuidado por sua vez requer precaução, cautela, desvelo, inquietação de espírito, responsabilidade e preocupação.


Esta arte que é reconhecida nos profissionais de enfermagem vem com certeza da relação direta com o cuidado ao ser humano, na maioria das vezes em situações de adoecimento e no auxílio para que alcance o máximo de saúde durante sua vida, procurando atuar como um agente que procura adaptar as necessidades humanas em várias situações e locais, como é o caso do ser humano hospitalizado e longe de seu meio cotidiano, nesta busca procura-se integrar a esse meio outras pessoas, as famílias e a sociedade.


Neste contexto podemos então descrever a enfermagem com a arte de cuidar, mas também uma ciência que consiste especificamente em cuidar do ser humano, individualmente, da família e da comunidade de uma maneira integral e holística, desenvolvendo atividades de promoção, proteção, proteção, prevenção, reabilitação e recuperação da saúde. O conhecimento da enfermagem consiste em abordagem filosófica, ao enxergar o ser humano em seu contexto existencial, a tecnologia e a ciência buscando a lógica formal como responsável pela correção normativa e a ética como princípio fundamental para nortear suas ações.


A enfermagem moderna tem como sua principal precursora Florence Nightingale, que no século XIX estruturou seu modelo de assistência depois de ter atuado nos cuidados de soldado durante a guerra da Criméia (1853-1856), e construiu um modelo que se baseia em fatos observáveis para prestar cuidados ao ser humano durante o processo de saúde-doença que se caracteriza por efetuação de refistos clínicos que dão origem a implementação do processo clínico do doente.


Em seu livro "Notas sobre enfermagem: o que é e o que não é" Florence Nightingale estabeleceu treze princípios/fundamentos do cuidado, quais sejam: arejamento e aquecimento; condições sanitárias das moradias; controle das atividades menores; ruídos; variedade; alimentação; que tipo de alimento; cama e roupas de cama; iluminação; limpeza de quartos e paredes; higiene pessoal; esperanças e conselhos e observação do doente.


Existem algumas atitudes importantes na arte do cuidar, segundo Silva (2005):
• Aprender a escutar;
• Acolher o outro;
• Aprender com todos;
• Por-se a serviço das necessidades do outro sem descuidar das próprias;
• Acompanhar as mudanças;
• Partilhar o aprendizado com os outros;
• Ter em mente que a integridade é mais importante que a perfeição e que ela é um instrumento que nos está disponível em qualquer atendimento;
• Aprender a lavar não só as mãos a cada paciente, mas também as mágoas do próprio coração;
• Ser coerente. A comunicação vai além das palavras, é composta também de nossos gestos, atitudes, expressões faciais, tom de voz e até do silêncio;
• Evitar rotular as pessoas;
• O tempo é precioso para os profissionais, assim como para os pacientes. Aprender a atender prontamente à campainha ou a justificar a sua demora no atendimento;
• Aprender a sorrir. Mostrar alegria e gratidão por estar cuidando;
• A humildade e o sentimento genuíno de querer aprender com os outros são muito eficientes para criar harmonia. O oposto é imaginar que você está aqui para ensiná-los. '


A relação da enfermagem com o ser humano que recebe cuidados também pode ser considerado um ato de amor que acontece através de uma relação intersubjetiva e mútua entre o profissional da enfermagem e a pessoa sadia ou enferma e se caracteriza por preocupação e interesse, respeito, compreensão e responsabilidade. O ambiente onde acontece o cuidado, dessa maneira, deve ser caracterizado por aconchego, flexibilidade, participação e sensibilidade.


A arte de cuidar do ser humano, tanto na saúde como na doença é uma ciência que tem como principal objetivo identificar as necessidades humanas básicas e o diagnóstico de problemas e através disso elaborar, executar e avaliar continuamente um plano de cuidados, buscando dessa forma contribuir para uma melhor qualidade de vida.




REFERÊNCIAS


- Enfermagem. Disponível no site Acesso em 30 de outubro de 2010.
- LIMA, J. L. A arte no cuidar: "Enfermagem arte" e a "arte na enfermagem". Disponível no site Acesso em 30 de outubro de 2010.
- SILVA, M. J. P. O Amor é o Caminho - maneiras de cuidar. 3 ed. São Paulo Ed. Loyola, 2005.
- Nightingale F. [1820-1910]. Notas sobre enfermagem: o que é e o que não é; prefácio de Ieda Barreira e Castro; tradução Amália Correa de Carvalho. São Paulo: Cortez; [Ribeirão Preto,SP] ABEn-CEPEn, 1989.




 
Jefferson Nery Correia
Enfermeiro HSC
Docente da Faculdade Integrado



 
 
 















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