Imprimir

Cuidados Paliativos no Contexto Hospitalar




Nas ultimas décadas vivenciamos nos hospitais um espantoso avanço nas tecnologias destinadas a proporcionar a cura e prolongar a vida. Mas não podemos ignorar as situações onde a vida está chegando ao seu fim, e para sobrevivência é necessário considerar condições dignas para que ela siga seu curso natural.


É nesse contexto que devemos entender o conceito de cuidados paliativos (CP). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) CP consiste no cuidado ativo e total dos pacientes que possuem uma enfermidade fora de possibilidade de cura. Controle da dor e de outros sintomas, e ainda prestar assistência dentro das necessidades sociais e espirituais. O principal objetivo é garantir a melhor qualidade de vida possível, tanto para os pacientes, como para suas famílias.


O CP é uma prática multiprofissional que visa um atendimento que atenda as necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais a pacientes que não respondem mais aos tratamentos curativos.



Muitas questões éticas também estão envolvidas com CP, é preciso entender que não se trata de eutanásia (morte boa), considerada um crime. E também não é a distanásia (prolongar o sofrimento de morrer). O termo mais correto a ser utilizado é ortotanásia (morte digna), onde é garantido todo o suporte para que o paciente não sofra e seja respeitada sua dignidade humana.


O termo CP (do latim pallium), significa manto ou coberta, um conceito que busca tornar o cuidado mais humanizado, enxergar o paciente dentro de um enfoque holístico.


A prática do CP tem suas origens no período das cruzadas, onde muitas hospedarias recebiam soldados moribundos e proporcionava os cuidados aos que estavam morrendo. Na idade média estes locais passaram a ser chamados de hospice e atualmente isso ocorre nos hospitais.


Em 1967 a enfermeira, médica e assistente social Cicely Saunders criou o conceito moderno de CP no St. Christopher Hospice em Londres, que transformou o modelo de assistência, ensino e pesquisa a pacientes terminais e suas famílias. O principal objetivo do cuidar tornou-se focado na diminuição dos sintomas e promover a qualidade de vida.


No Brasil o principal marco no que se refere à CP foi a criação em 1997 da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, desde então vários estudos científicos foram realizados principalmente quando se trata de enfermidades crônico evolutivas avançadas e na terminalidade.


Os CP buscam oferecer uma atenção especial ao paciente e sua família, controle e manuseio da dor, higiene adequada do paciente, das roupas e do ambiente, a construção de vínculos, uma melhor comunicação entre os profissionais com o paciente e sua família, que permita compartilhar decisões, respeitar a autonomia do paciente, maior flexibilidade e conceções como visita ampliada e a permanência de objetos de valor sentimental. Busca atender os pequenos e grandes desejos do paciente, garantir respostas honestas para seus últimos momentos.



O primeiro passo para se realizar o CP é superar o preconceito de falar sobre a morte, buscando entender que ela faz parte do curso natural da vida. Desprendermos do conceito de finitude e refletirmos sobre importância de viver dignamente até o fim. No que é qualidade de vida, no valor da vida e no significado da vida.



É bastante comum que surja maiores necessidades de apoio espiritual na realização dos CP. Nessas situações devemos buscar entender esse momento, identificar quais as preferências religiosas e proporcionar total apoio nesse momento.
Saber ouvir, tanto o paciente quanto a sua família. Oferecer um acolhimento e tempo para que se possa falar tirar dúvidas, participar nas decisões sobre os CP.


Os CP não acabam com o fim da vida do paciente, eles vão muito além desse momento, é o apoio a família para uma melhor elaboração do luto e nos processos que demandam desse momento como acompanhamento psicológico durante o tempo necessário.


Segundo o Grupo de Estudos em Cuidados Paliativos (Palliare) de Londrina, os CP consistem em: afirmar a vida e reconhecer a morte como um processo natural; Não antecipar e nem retardar a morte; providenciar alívio da dor e outros sintomas que afligem o paciente; integrar os aspectos psicológicos e espirituais do cuidado ao paciente; oferecer um sistema de suporte para ajudar os pacientes a viver o mais ativamente possível; oferecer um sistema de suporte para auxiliar a família a cooperar durante a doença e a trabalhar o seu próprio luto e perda.




REFERÊNCIAS:


- REIRIZ, A. B. et al. Cuidados Paliativos, a terceira via entre eutanásia e distanásia: ortotanásia. Prática Hospitalar. Ano VIII. N. 48. p. 77-82. Nov-Dez/2006.


- BOEMER, M. R. Sobre cuidados paliativos. Ver. esc. enferm. USP. Vol. 43 n. 3. São Paulo. Set. 2009.


- PALLIARE. Grupo de Estudos sobre Cuidados Paliativos. Disponível no site: http://www.palliare.org.br/default.asp?secao=definicao.asp. Acesso em 01/03/2011.



- ANCP. Associação Nacional de Cuidados Paliativos. Disponível no site: www.paliativo.org.br Acesso em 01/03/2011.



- SKABA, M. F. Humanização e cuidados paliativos. Ciênc. Saúde coletiva. Vol 10. N. 3. Rio de Janeiro. Jul/set. 2005.


- FIGUEIREDO, M. T. A. et. al. Coletânea de textos sobre cuidados paliativos e tanatologia. Disponível no site: http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/cuiadospaliativosetanatologia.pdf. Acesso em 01/03/2011.

 

Fonte: Fotografia de divulgação da parceria da SPDATA e Hospital Santa Casa




 

Jefferson Nery Correia
Enfermeiro do HSC
Docente da Faculdade Integrado




 
 
 















Veja mais fotos
 
Hospital Santa Casa ® - Campo Mourão O melhor atendimento você encontra aqui.
Fone: |44| 3810.2100 - |44| 3523.0008 - CEP: 87.302-215
contato@santacasacm.org.br
Rodovia PR, 558 - Campo Mourão - PR